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Monitoramento8 min de leitura

Monitoramento sintético vs RUM: quando usar cada um (e quando os dois)

As duas grandes famílias de monitoramento de performance — sintético e RUM — são complementares, não substitutas. Cada uma mente sozinha. Veja qual usar para alerta, qual para SEO, e como montar a stack certa.

Painel de analytics em tablet com gráficos de barras
Sintético te diz se o site está funcionando. RUM te diz como o site está funcionando pros seus usuários. Você precisa dos dois.Unsplash
O que você vai aprender
  • A diferença entre monitoramento sintético e RUM — em termos que importam pra quem opera loja.
  • Por que cada um sozinho mente, e quando misturar os dois.
  • Onde sintético ganha (alerta, regressão, baseline confiável) e onde RUM ganha (Google, p75 real).
  • Stack recomendada conforme o tamanho da operação.

Quando alguém diz "estou monitorando minha loja", a próxima pergunta é "como?". As duas grandes famílias são monitoramento sintético (você simula um usuário) e RUM (você mede o usuário real). São complementares — não substitutos. Quem opera e-commerce de verdade precisa dos dois — e entender quando cada um mente.

As duas famílias

AspectoSintéticoRUM (Real User Monitoring)
Quem medeRobô (Chromium, Playwright, k6)Usuário real, via JS no browser
Onde medeDe data center (uma ou várias regiões)Da rede do usuário (variável)
FrequênciaControlada (a cada N minutos)Toda visita coletada (sample size grande)
ComparabilidadeAlta (mesma máquina, mesma rede)Baixa (cada visita é diferente)
Custo de capturaServidor + execução por testeBytes JS + endpoint de ingest
Detecta loja fora?Sim — em segundosNão — sem visita, sem dado
Reflete usuário real?ParcialSim, integralmente
1–5 min
é a frequência típica de monitoramento sintético em e-commerce
Datadog Synthetic, Pingdom, k6 Cloud
28 dias
é a janela do CrUX (RUM público do Google) — agregação móvel
Chrome User Experience Report
~75%
das equipes de e-commerce não fazem RUM próprio — usam só CrUX
Web Almanac 2024
+22%
de incidentes capturados antes do cliente quando se adota sintético com Chromium real
Catchpoint / DEM benchmark 2023

Quando o sintético mente

Sintético é um robô rodando em data center, com rede gigabit. Ele te diz que o LCP está em 1.2s — e o seu cliente em 4G, hora do almoço, está vendo 3.8s. Os dois números estão certos, são contextos diferentes.

  • Subestima latência da última milha (a parte mais cara da rede para o usuário móvel brasileiro).
  • Não captura abandono — só mede tempo até página completar; usuário real abandona antes.
  • Não captura distribuição — mostra um número, não p75.
  • Falso positivo de cache: a 5ª execução em 5 minutos pega cache de tudo. Por isso execuções intercaladas com cache frio importam.

Quando o RUM mente

RUM coleta usuário real — sim. Mas com vieses que valem entender:

  • Sobrerrepresentação de dispositivos rápidos. Usuário com celular velho e rede ruim navega menos, gera menos amostra. O p75 do RUM pode parecer melhor que a realidade do cliente "médio".
  • Não detecta queda total. Se a loja cair, ninguém visita; o RUM fica em silêncio. Você descobre por ausência de dado, não por dado.
  • Não roda em fluxo crítico. Você não consegue forçar o cliente a tentar finalizar pedido. Quem testa checkout sintético sabe na hora; RUM só vê quem chegou lá.
  • Dependente de JS. Se o JS quebra antes do web-vitals.js carregar, o dado nunca chega. Erro fatal de JS = ausência (não erro) no RUM.
Synthetic monitoring tells you if your site is working. RUM tells you how well it's working for your users. You need both.— Catchpoint, Digital Experience Monitoring
Pessoa segurando smartphone com app de loja virtual aberto
No Brasil, ~70% do tráfego de loja virtual é mobile — e p75 do LCP em rede 4G pode ser 2-3× mais lento que o que você vê no Wi-Fi.Unsplash

Como combinar os dois

Use sintético para:

  • Alerta de incidente — fora do ar, checkout quebrado, certificado inválido. Tem que ser sintético porque não depende de visita.
  • Regressão de performance — comparar versão de hoje com versão de ontem, mesmo ambiente. RUM tem ruído demais para isso.
  • Cobertura de fluxo crítico — login, carrinho, checkout, busca. Caminhos que clientes quebram silenciosamente.
  • Comparação geográfica controlada — "p95 da home medindo de SP vs de BSB".

Use RUM para:

  • Core Web Vitals reais — o que o Google usa. Sem isso, você não tem dado de SEO. [1]
  • Segmentação por device, geografia, rede — você descobre que p75 de LCP em 4G está em 5s, mesmo com Wi-Fi em 1.8s.
  • Funil de conversão por performance — correlacionar abandono com tempo de página.
  • Detecção de "lento só para um pedaço" — uma região, um device, um operador móvel.

Stack recomendada por tamanho

Loja pequena (até R$ 1mi/ano)

  • Sintético: 3–5 testes (home, categoria, produto, checkout, busca) a cada 5 minutos.
  • RUM: CrUX via Search Console — grátis, suficiente.
  • Custo: ~R$ 30–100/mês.

Loja média (R$ 1–20 mi/ano)

  • Sintético: 10–30 testes, alertas em Discord/Slack, monitoramento de SSL/DNS/robots.
  • RUM: CrUX + web-vitals.js próprio enviando para um endpoint simples.
  • Custo: ~R$ 100–500/mês.

Loja grande (R$ 20mi+/ano)

  • Sintético: multi-região, integração com CI/CD para gate de deploy.
  • RUM: solução paga (Datadog RUM, Akamai mPulse) com retenção longa, segmentação fina.
  • APM: New Relic ou Datadog APM para correlacionar com backend.
  • Custo: ~R$ 1.000–5.000/mês.
📌 Onde a Especialista Loja Virtual entra: é a parte sintética com Chromium real (não ping). Roda checkout, mede Web Vitals em ambiente controlado, e cruza com SSL/DNS/robots/pedidos. Custa uma fração de Datadog Synthetic e foca em e-commerce brasileiro — checkout em PT-BR, frete por CEP, gateway nacional.

Armadilhas finais

  • Não compare número sintético com número RUM diretamente. São medidas de coisas diferentes. Use sintético para tendência interna e RUM para comparar contra meta de Google.
  • Cuidado com o efeito "100% verde" do sintético. Se você roda só em horário comercial, vai dar tudo verde. Rode 24/7.
  • Cuidado com o efeito "média boa" do RUM. Mediana é mentirosa em performance. Use sempre p75 ou p90.

Veja também Core Web Vitals para loja virtual para a parte de métrica e os 7 alertas essenciais para a parte de alerta.

Referências

  1. Google Search Central. Page experience and Core Web Vitals — use field data, not lab data. developers.google.com/search/docs/appearance/page-experience
  2. Catchpoint. Digital Experience Monitoring (DEM) — Industry Benchmark, relatórios anuais. catchpoint.com/resources
  3. Akamai mPulse. Real User Monitoring — Best Practices. techdocs.akamai.com/mpulse
  4. Datadog. Synthetic Monitoring & RUM — Documentation. docs.datadoghq.com/synthetics · docs.datadoghq.com/real_user_monitoring
  5. web.dev. How to measure Core Web Vitals — field vs lab data. web.dev/articles/lab-and-field-data-differences
  6. HTTP Archive Web Almanac 2024. Capabilities, Performance & Privacy chapters. almanac.httparchive.org

Perguntas frequentes

Posso usar só CrUX em vez de implementar RUM próprio?
Para loja pequena ou média, sim. CrUX é grátis, vem do Chrome real e é o que o Google usa para SEO. A desvantagem é que tem janela de 28 dias (não real-time) e só te dá o agregado p75 — você não consegue segmentar por device ou geografia fina.
Sintético detecta loja fora?
Sim, em segundos. É o uso principal do sintético — porque ele dispara a teste mesmo quando não tem visita. RUM, por definição, fica em silêncio se a loja cair: ninguém visitando, ninguém reportando.
Qual diferença entre p50 e p75 nesse contexto?
p50 (mediana) representa o usuário "médio". p75 representa o usuário no top 25% pior — é o que Google usa em Core Web Vitals porque captura o sofrimento sem ser dominado por outliers. Sempre olhe p75 (ou p90), nunca média/mediana.

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